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Impactos da CBS e IBS para PMEs em 2026: passos práticos para se preparar a partir de março

A Reforma Tributária já é uma realidade. Com a aprovação da PEC 45/2019 e regulamentação pelas Leis Complementares 204 e 214/2025, o sistema tributário brasileiro começa a mudar de forma estrutural a partir de 2026.

Como já citamos anteriormente, entram em cena dois novos tributos:

  • CBS (Contribuição sobre Bens e Serviços): de competência federal
  • IBS (Imposto sobre Bens e Serviços): de competência estadual e municipal

Eles substituem PIS, COFINS, ICMS e ISS, criando um modelo de IVA dual. Para pequenas e médias empresas (PMEs), isso significa simplificação no longo prazo, mas exige organização e planejamento imediato.

Se a sua empresa não se preparar, o risco não é apenas pagar mais imposto. É comprometer margem, fluxo de caixa e competitividade.

O que muda na prática para as PMEs?

1. Unificação de tributos

A CBS substituirá PIS e COFINS, enquanto o IBS substituirá ICMS e ISS.

A alíquota combinada estimada gira em torno de 26,5%, próxima da carga atual média. A grande diferença está na lógica de apuração e na estrutura de créditos.

2. Não cumulatividade plena

O novo modelo permite o crédito integral do imposto pago na aquisição de bens e serviços utilizados na atividade econômica.

Exemplo simplificado:

  • Compra de mercadoria: R$ 1.000
  • IVA pago na compra: R$ 265
  • Venda: R$ 1.500
  • IVA sobre venda: R$ 397
  • Imposto efetivo sobre o valor agregado: R$ 132

Na prática, o tributo incide apenas sobre o valor agregado pela empresa.

Isso melhora a transparência, mas exige controle contábil e fiscal muito mais rigoroso.

3. Pontos de atenção e riscos
Apesar da promessa de simplificação, a transição pode gerar desafios:

  • Necessidade de adaptação de sistemas fiscais
  • Ajustes contratuais com fornecedores e clientes
  • Impacto maior para setores de serviços e varejo
  • Obrigatoriedade de novos documentos fiscais eletrônicos
  • Risco de perda de créditos por erro operacional

Empresas que não revisarem processos podem sofrer aumento de carga efetiva no início da transição.

Como será a transição em 2026?

O processo será gradual:

  • Julho de 2026: fase de testes
  • Setembro de 2026: fases de testes sem cobrança efetiva
  • 2027 em diante: implementação ampliada

Empresas do Simples Nacional tendem a sentir impactos menores no início, mas a análise estratégica sobre permanecer no regime ou migrar para Lucro Presumido pode se tornar necessária dependendo da margem e do volume de créditos.

Passos práticos para PMEs a partir de março de 2026

A preparação não começa em julho, começa agora.

1. Faça uma auditoria tributária interna (março–abril)

  • Liste todos os tributos atuais pagos (PIS, COFINS, ICMS, ISS)
  • Identifique onde há maior incidência
  • Levante créditos acumulados
  • Simule cenários com base na nova estrutura

Essa análise é essencial para evitar surpresas na margem.

2. Atualize sistemas e processos fiscais (abril–maio)

  • Verifique se seu software contábil está preparado para o novo leiaute
  • Teste emissão de notas com os campos CBS e IBS
  • Revise parametrizações fiscais

Empresas que deixam isso para a última hora enfrentam erros operacionais e retrabalho.

3. Capacite sua equipe (maio–junho)

  • Treine o time financeiro e fiscal sobre a nova lógica de apuração
  • Revise contratos de fornecimento e prestação de serviços
  • Avalie cláusulas relacionadas a tributos e reajustes

A reforma impacta decisões comerciais, não é apenas uma questão contábil.

4. Reavalie preços e fluxo de caixa (junho–julho)

  • Recalcule margens considerando a nova sistemática
  • Use créditos tributários de forma estratégica
  • Negocie condições com fornecedores

Pequenos ajustes agora evitam perda de competitividade depois.

5. Acompanhe o período de testes (a partir de julho)

  • Participe da fase experimental
  • Simule declarações
  • Corrija inconsistências antes da cobrança efetiva

Antecipação reduz risco de multas e autuações.

O posicionamento estratégico da sua empresa começa agora

A CBS e o IBS não representam apenas mudança de sigla. Representam uma transformação estrutural na forma de apurar, controlar e planejar tributos.

Empresas que tratam a Reforma Tributária como um evento distante tendem a perder margem.
Empresas que tratam como estratégia ganham previsibilidade e vantagem competitiva.

Se você é empresário e quer atravessar 2026 com organização, controle e crescimento sustentável, o momento de agir é agora.

Prepare sua PME para a nova realidade tributária.

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